O que diferencia os inovadores são suas atitudes

O que diferencia os inovadores são suas atitudes

O que diferencia os inovadores são suas atitudes

atitudes

 

O que faz com que inovadores sejam o que são? Em vez de ficar se perguntando o que eles têm que não temos, pare um instante e observe como agem. Você terá uma surpresa. O que torna Jeff Bezos, Pelé, Santos Dumont e Einstein tão extraordinários é um conjunto simples de maneiras de ser e fazer que você mesmo tinha quando criança.

Essa descoberta interessa muito ao mundo dos negócios, que busca desenfreadamente inovação e inovadores. Nossa tese é que eles estão “dentro de casa”, nas próprias empresas. Trabalhamos há mais de 25 anos com algumas das organizações mais inovadoras do Brasil e do mundo. Interagindo o tempo todo com seus líderes, comprovamos que esses dirigentes têm em comum um conjunto de atitudes que faz fluir a inovação e coloca a eles e suas empresas à frente das demais. Em seu livro “DNA do Inovador” (HSM Editora), o pesquisador de Harvard Clayton M. Christensen faz alusão ao DNA do inovador e explica que se trata de DNA atitudinal. Com isso, o guru reforça a abordagem que criamos e defendemos na consultoria de que sou sócio: as atitudes fazem os inovadores. Condutas até que naturais. Presentes em todas as crianças, elas vão, no entanto, se perdendo na idade adulta em muitos de nós.

 

E que atitudes são essas?

A primeira é a capacidade de sentir/perceber. Os inovadores têm grande sensibilidade. Essa percepção aguçada do que ocorre ao seu redor os torna capazes de enxergar detalhes e circunstâncias que passam despercebidos pela maioria. Mais do que isso: permite-lhes identificar “vazios” que a inovação poderia ocupar.

A segunda atitude que diferencia os inovadores é a capacidade de sonhar/criar. Basta um resultado de pesquisa, a história de um cliente, para que o inovador já se ponha a imaginar e construir novas realidades. Não se contenta com o que está posto: deseja mais e consegue vislumbrar como será esse futuro.

Após perceber que algo pode mudar para melhor e imaginar como, os inovadores exibem uma terceira atitude: acreditar e arriscar. Não têm medo de experimentar o novo – pelo contrário, saboreiam o risco em busca da maior recompensa: o prazer da descoberta.

A quarta atitude é transformar. Deriva das anteriores e fecha o ciclo. Para ser inovação, tem que acontecer. Os inovadores mudam a si mesmos e o ambiente que os cerca o tempo todo. São agentes de mudanças.

Pena que em muitas empresas, inclusive algumas que adotam o discurso da inovação, essas atitudes sejam malvistas. Nelas, dizer que um gerente é “sensível” equivale a xingá-lo. O adjetivo “sonhador”, então, desqualifica as pessoas para as missões mais difíceis. Essas empresas passaram décadas banindo riscos de todos os tipos. Evitam contratar transformadores. Temem que subvertam a disciplina e a ordem… Se, então, houver na empresa alguém ao mesmo tempo sensível, sonhador, ousado e questionador, nossa! Isso dá justa causa.

No entanto, se de fato desejarem a inovação, essas companhias terão que resgatar tais atitudes em sua gente. Terão que buscar, de verdade, os comportamentos que os funcionários tinham quando crianças. Indivíduos que encontram formas de preservar essas características invariavelmente se destacam. Boa parte do que foi taxado no passado como rebeldia e indisciplina terá que ser reconsiderado.

Com o objetivo de transformar empresas em usinas de inovação, parte do nosso trabalho tem sido descobrir essas atitudes nos adultos. Uso o verbo “descobrir” porque essas quatro atitudes estão lá, vivas, mas ocultas por um manto imposto a cada um de nós por uma educação inadequada, que nos moldou para deixarmos de lado nossa persona inovadora e nos tornarmos iguais. Robôs chamados gestores.

Temos pouco tempo. Se quisermos um país inovador e globalmente competitivo é preciso correr e mudar a realidade. E, talvez, o caminho mais efetivo seja educar nossas crianças, os inovadores que em breve liderarão o Brasil, para que preservem as poderosas atitudes que naturalmente têm. Sua capacidade de sentir, de sonhar, de arriscar e de transformar.

 

Artigo publicado originalmente no Brasil Post em 13 de setembro de 214.